Mulher Maravilha é a redenção do Universo DC no cinema

Postado por amanda 12/06/2017 0 Comentários Filmes,

Diferente da Marvel Comics, que para evitar a falência vendeu os direitos de seus principais personagens para diversos estúdios cinematográficos, a DC Comics sempre esteve numa posição confortável por fazer parte da Warner Brothers. Ou seja, o estúdio tinha em suas mãos TODOS os personagens da editora para usar como quisesse.

Tirando um desvio aqui e ali, a Warner optou por focar nos seus dois principais heróis: Batman e Superman. Do morcego são sete filmes solo até aqui (quer dizer, seis porque Batman & Robin de Joel Schumacher não é um filme) e o Super tem seis (não estou levando em consideração a junção dos dois em BvS).

Porém, todo mundo que lê HQ sabe que a DC tem uma trindade principal de super-heróis: Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Apesar do sucesso que a amazona teve com sua série dos anos 1970, estrelada pela atriz Lynda Carter, o estúdio nunca levou à frente um filme da heroína.

Com a decisão de criar um universo compartilhado nos cinemas, Diana de Themyscira ganhou sua chance. E no seu primeiro filme, chutou a bunda dos seus predecessores com estilo.

Mulher-Maravilha, a primeira justiceira!

A trama de Mulher-Maravilha (dirigido por Patty Jenkins, 141 minutos) se passa durante a Primeira Guerra Mundial. Porém, antes de sermos inseridos no conflito, conhecemos a história de Diana de Themyscira (Gal Gadot), filha da rainha Hipólita (Connie Nielsen), soberana das Amazonas que vivem numa paradisíaca ilha. Desde pequena, Diana tem a vontade de treinar e se tornar uma guerreira, como a sua admirada tia Antíope (Robin Wright), embora a sua mãe seja contra. Treinada em segredo pela tia, Diana torna-se uma lutadora admirável.

Hipólita esconde um segredo da sua filha e por isso não a deixa conhecer o mundo além de Themyscira, sempre a alertando do perigo que é o mundo dos homens. Então, fugindo dos alemães depois de uma missão bem sucedida de espionagem, o capitão da força aérea norte-americana Steve Trevor (Chris Pine) cai com seu avião próximo à ilha. Salvo do afogamento por Diana, ele explica às amazonas o que está acontecendo no mundo e pede para completar sua missão, o que é negado.

Diana o ajuda e vai com ele para o mundo dos homens a fim de ajudar a acabar com a guerra. Ao chegar ao nosso mundo, a princesa tem um choque diante da realidade brutal que acomete a humanidade. Certa de que isso é o resultado da influência de Ares, o deus da guerra, sobre os homens, ela assume como missão derrotar a divindade para que o conflito se encerre. Para Steve Trevor, a missão é impedir que a Dra. Maru (Elena Anaya), química conhecida como Dra. Veneno, conclua a fabricação de um novo e mortal gás que poderá decidir a vitória alemã no conflito.

Porém, na sua missão de derrotar Ares, Diana irá descobrir que a realidade pode ser muito mais cruel do que ela imagina.

Somos apresentados às Amazonas e ao universo mitológico da DC de maneira orgânica, por meio de uma narrativa funcional, sem arrodeios. As motivações de Diana são críveis e seu desejo de ajudar a tornar o mundo dos homens um lugar melhor, a exemplo do seu lar, é o que a define enquanto heroína.

A ilha das amazonas é apresentada em uma paleta de cores vivas, brilhantes, que transmite tranquilidade, paz, esperança. Quando a princesa chega a Londres, podemos ver o contraste: a cidade é cinza, suja, esfumaçada, tudo potencializado pelos horrores da guerra.

A atitude de Diana em querer partir para o front e resolver a situação esbarra na política, na diplomacia e nos discursos dos generais. Além disso, o roteiro consegue mostrar de modo incisivo e ao mesmo tempo discreto, sem panfletarismos, como a mulher era vista na sociedade do início do século XX.

Á medida que vão se conhecendo melhor e se aproximando, é inevitável que surja um clima romântico entre Steve e Diana, mas a coisa é colocada com tanta sutileza e naturalidade que não incomoda – ponto para Patty Jenkins! Imagina o desastre que isso seria nas mãos de um diretor menos contido.

As reações de Diana diante de alguns hábitos e costumes do mundo dos homens é engraçada sem ser hilária; sua ingenuidade flui naturalmente, assim como sua raiva em determinado ponto da trama.

Mulher-MaravilhaPor isso, deve ter gente engolindo os impropérios que soltou quando anunciaram Gal Gadot para o papel. Quando eu fiquei sabendo, perguntei apenas “Quem?”. Não acompanho a franquia Velozes e Furiosos e não a conhecia. Não me importei com o aspecto físico – fiquei mais preocupado se ela teria condições de interpretar o papel da Mulher-Maravilha. A responsabilidade era enorme.

Pois bem. Gal Gadot é a alma desse filme. Ela encarna com perfeição a personagem e podemos respirar aliviados: Lynda Carter encontrou sua sucessora (embora ainda seja a eterna Mulher-Maravilha!!!).

O que diferencia Mulher-Maravilha dos seus antecessores é a forma como a história é contada. Ela é simples, contida, redonda, sem exageros nem pretensões de discutir questões filosóficas para pagar de “adulto”. Em sua sutileza, o filme levanta questões sociais e sobre a natureza humana que ainda são atuais. Tão fácil fazer uma história assim, porque não acertaram antes?

E afinal de contas, Mulher-Maravilha é um filme feminista? Bem, temos uma mulher como protagonista e outra como diretora. Temos uma personagem que, desde a sua criação, trazia o empoderamento feminino como mote; e que se tornou um símbolo e uma referência para várias gerações de mulheres. Então, é claro que há um discurso de gênero permeando a trama, principalmente em alguns diálogos e falas inspiradas de Diana. Se olharmos por esse lado, MM tem sim um discurso feminista. E isso é bom. O primeiro filme/blockbuster protagonizado por uma super-heroína é um marco e será sempre uma referência para o que virá depois.

Comeu mosca, Marvel!!!!

Eu entendi a referência!!!

O filme tem algumas referências diretas e perceptíveis, como a cena no beco, que remete diretamente ao primeiro filme do Superman com Christopher Reeves.

Como história de origem, o filme segue a estrutura padrão desse tipo de narrativa (não to dizendo que isso é ruim). Então, uma das referências (Homenagem? Citação? Paráfrase?) que mais salta aos olhos é a semelhança com Capitão América: O Primeiro Vingador – e não apenas pelo fato de se passarem em uma guerra. Quem tiver olhos de ver, verá. 
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